Como Fazer Muda de Orquídea: Keiki e Divisão Passo a Passo

Orquídea Phalaenopsis rosa florida em vaso transparente com substrato de casca
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Para fazer muda de orquídea em casa, há dois caminhos, e a forma da planta decide qual. Orquídeas com pseudobulbos, como a Cattleya, o Oncidium e o Dendrobium, se multiplicam por divisão: a planta precisa ter pelo menos seis pseudobulbos, para cada parte ficar com no mínimo três. A Phalaenopsis, que cresce numa haste só, se multiplica pelo keiki, a mudinha que nasce na haste floral, separado quando tem duas ou três raízes. Semente de orquídea só germina em laboratório. Do corte à primeira flor, as fontes falam em um a três anos.

Simpodial ou monopodial: qual método serve para a sua

A apostila de orquídeas da Escola Municipal de Jardinagem de São Paulo explica a diferença. Nas simpodiais, o crescimento é horizontal e as raízes saem ao longo do rizoma, de onde brotam os pseudobulbos; nas monopodiais, o eixo cresce para cima, numa haste única. O Jardim Botânico de Nova York resume a consequência prática: como regra geral, as monopodiais não precisam ser divididas.

TipoExemplosComo cresceComo fazer a muda
SimpodialCattleya, Oncidium, Dendrobium, CymbidiumPara o lado, com rizoma e pseudobulbosDivisão do rizoma; no Dendrobium, também keiki e pedaço de cana
MonopodialPhalaenopsis, VandaPara cima, numa haste só, sem pseudobulboKeiki

Divisão: quantos pseudobulbos por parte

As fontes concordam no mínimo de três pseudobulbos por muda. A apostila de São Paulo pede uma planta com pelo menos seis, para cada parte ficar com três; o Jardim Botânico do Missouri avisa que uma parte com menos de três dificilmente sobrevive e indica cinco como o ideal para a Cattleya. A cartilha do SENAR do Paraná, escrita por uma professora da UFPR, dá a mesma regra: no mínimo três pseudobulbos por parte, o que transforma uma planta em duas.

  1. Esterilize a ferramenta. O Jardim Botânico de Nova York usa álcool 70% ou água sanitária diluída a 10%.
  2. Tire a planta do vaso. Solte o substrato velho das raízes e retire as raízes mortas, ocas ou escuras.
  3. Corte o rizoma. Escolha o ponto que deixa pelo menos três pseudobulbos de cada lado, de preferência com um broto novo em cada parte.
  4. Trate o corte, se quiser. O Jardim Botânico do Missouri cita a canela em pó como opcional, com base no relato de cultivadores, sem ensaio que meça o efeito.
  5. Plante cada parte. Com os pseudobulbos mais velhos encostados na borda do vaso e o broto novo virado para o centro, onde terá espaço para crescer.
Raízes de orquídea e substrato de casca e carvão na mesa durante o replantio
Divisão em andamento: raízes limpas e substrato de casca e carvão.

Na rega logo depois, as fontes divergem. O Jardim Botânico do Missouri, numa de suas respostas a leitores, sugere esperar cerca de uma semana para os cortes fecharem; o guia de replantio do próprio Missouri e o da Universidade da Flórida mandam regar em seguida. O que todas dizem é que o adubo espera: a Universidade da Flórida pede pelo menos algumas semanas sem adubar.

Os pseudobulbos velhos que sobram, sem folhas, também podem virar planta. A Universidade da Flórida descreve o uso desses bulbos traseiros num meio de enraizamento para formar um broto na base, e a Sociedade Americana de Orquídeas avisa que eles podem ficar dormentes por até dois anos antes de brotar.

Keiki: quando separar da planta-mãe

O keiki é um clone da planta-mãe que nasce na haste floral, comum na Phalaenopsis e no Dendrobium. O ponto de separar varia entre as fontes, mas todas pedem raiz formada antes. A biblioteca de horticultura da Universidade de Washington fala em duas ou três raízes; a Sociedade Real de Horticultura, do Reino Unido, em raízes de pelo menos 2 cm; a cartilha do SENAR, em raízes de cerca de 7 cm e pelo menos três folhas novas, o que costuma levar de seis meses a um ano. No Dendrobium, a mesma sociedade britânica espera o keiki chegar a um terço do tamanho da planta-mãe, com pseudobulbos e raízes.

Keiki de orquídea, broto com pequenas raízes, crescendo na haste da Phalaenopsis
Keiki na haste da Phalaenopsis, ainda com raízes curtas.

Na hora de separar, corte a haste um pouco acima e um pouco abaixo do ponto em que o keiki está preso, como orienta a Universidade de Washington, e plante num vaso pequeno com musgo esfagno ou casca fina. A cartilha do SENAR registra que, na Phalaenopsis, os keikis tendem a surgir depois de temperaturas altas no fim da florada.

Pasta de hormônio para provocar keiki existe, com resultado incerto. A Sociedade Real de Horticultura diz que, aplicada num nó da haste, uma mudinha pode surgir depois de seis a oito semanas, e que o enraizador comum não funciona para isso. Um ensaio da Universidade de Surabaya, de 2023, mostrou que a posição do nó decide se nasce keiki ou haste floral; outro, da Universidade de Lampung, de 2020, obteve 100% de hastes florais e nenhum keiki com as doses mais altas de citocinina.

A época certa

A divisão e a separação do keiki vão para o fim da florada, quando a planta retoma o crescimento. O Jardim Botânico de Nova York recomenda depois que todas as flores murcharem e evitar o meio do inverno e o pico do calor do verão; o do Missouri pede para nunca replantar com a planta florida. A Universidade de Maryland põe o foco no crescimento novo, que pode começar antes de a florada acabar. Em termos de Brasil, a apostila de São Paulo resume: no início da emissão de brotos e raízes. A distribuição das tarefas do jardim ao longo do ano está no calendário de plantio.

Substrato: o que os ensaios brasileiros mostram

Orquídea epífita não vive em terra. A extensão da Universidade de Clemson diz que plantar uma epífita em terra é das maneiras mais certas de matá-la, e a Sociedade Real de Horticultura e o Jardim Botânico do Missouri dizem o mesmo da Phalaenopsis. A exceção são as orquídeas terrestres, como o Cymbidium, que a cartilha do SENAR lembra serem cultivadas em terra. Para as epífitas, os ensaios brasileiros compararam substitutos do xaxim, de extração hoje proibida.

EnsaioOrquídeaResultado
UEL, Acta Scientiarum, 2006Cattleya híbridaFibra de coco igualou o xaxim (86,3 g de massa contra 108 g, sem diferença estatística); casca de pinus pura ficou atrás (66,1 g) e deu menos raízes (17,3 contra 26,5)
UEL e UFPR, Semina, 2012BrassolaeliocattleyaFibra de coco, pinus compostado, carvão e as misturas deles serviram como alternativa ao xaxim em 24 meses
UFGD, Horticultura Brasileira, 2011Dendrobium do tipo DenphalCarvão sob 12.800 lux foi a recomendação final
UEL, 2005 e 2008Dendrobium nobile e Oncidium baueriFormas de fibra de coco igualaram o xaxim
Ciência e Agrotecnologia, 2010Phalaenopsis híbridaEm fibra de coco, pinus e brita (1:1:1), o crescimento subiu com o adubo até 1,5 g/L

A leitura conjunta é que nenhum material único é o melhor para todas, como diz a própria apostila de São Paulo, e que a casca de pinus funciona melhor misturada do que pura, como mostrou o ensaio da UEL com Cattleya. O Jardim Botânico do Missouri usa, para Cattleya, cinco partes de casca para uma de carvão. Para calcular quanto substrato o vaso novo leva, a calculadora de substrato faz a conta.

Luz, rega e temperatura depois da muda

A luz muda conforme o tipo. O guia de cuidados do Jardim Botânico de Nova York põe a Phalaenopsis em cerca de 1.000 velas-pé, algo como 10.800 lux, e a Cattleya entre 2.000 e 3.000, mais que o dobro; a extensão de Clemson diz o mesmo, que a Cattleya e o Dendrobium pedem duas vezes a luz da Phalaenopsis. Nenhuma delas quer o sol direto do meio-dia.

A rega segue a presença do pseudobulbo, que guarda água. A extensão de Iowa orienta deixar secar por completo as orquídeas com pseudobulbo, e a de Clemson pede o contrário para a Phalaenopsis: não deixar secar por inteiro, regando de novo quando o substrato estiver quase seco. A apostila de São Paulo lembra que a orquídea morre mais pelo excesso que pela falta de água. O adubo volta quando a muda estiver crescendo, em um quarto da dose ou menos, segundo Iowa.

No frio, o Jardim Botânico de Nova York dá as mínimas: de 18 a 21 °C para a Phalaenopsis e de 13 a 16 °C para a Cattleya. A Sociedade Real de Horticultura recomenda manter a Phalaenopsis acima de 16 °C.

Quanto tempo até florir

Muda de orquídea pede paciência. A Sociedade Real de Horticultura diz que o keiki do Dendrobium pode levar um ou dois anos para florir e que divisões pequenas podem levar até três; o Jardim Botânico do Brooklyn, citado pela Universidade de Washington, fala em vários anos do keiki até a planta florida. A cartilha do SENAR recomenda cortar a haste floral que uma divisão nova lançar no primeiro ano, para a planta investir em crescer. Pela semente, a Embrapa Agroindústria Tropical registra de 3 a 10 anos até a flor, conforme a espécie.

O que não funciona, e as exceções

Orquídea não se multiplica como as plantas de galho. Nenhuma das fontes consultadas indica a folha solta como forma de fazer muda, e a estaca comum, que funciona tão bem em outras espécies, quase não se aplica. Como as plantas de galho se multiplicam está explicado no guia de estaquia.

A exceção é o Dendrobium nobile, cuja cana pode ser cortada em pedaços: num ensaio da UFSC, de 2013, pedaços de cana em brita deram em média 37,2% de sucesso, e muitos apodreceram sem formar raiz ou folha. O keiki, o pseudobulbo e o pedaço de cana são todos exemplos de propágulos, as partes da planta capazes de gerar outra.

A semente fica para o laboratório: a Sociedade Real de Horticultura registra que ela só germina em ambiente controlado. Para as outras plantas da casa, o passo a passo geral está em como fazer mudas.

O índice por espécie está no guia de mudas de A a Z.

E o seletor de mudas indica o método de cada planta da casa.

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Quem escreve
Luiz Augusto Silva Rodrigues

Luiz Augusto Silva Rodrigues é o fundador e editor do Ramificando, onde reúne e revisa os guias de propagação de plantas do site, com foco em quem vai fazer a primeira muda. Saiba mais em Sobre e na Política Editorial.

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