Como plantar flor do deserto por semente, passo a passo

Sementes de rosa do deserto ao lado de uma bandeja de substrato pronta para semeadura
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Para plantar flor do deserto por semente, semeie a cerca de meio centímetro de profundidade num substrato que drena, mantenha úmido sem encharcar e entre 25 e 30 °C. As sementes germinam de 4 a 14 dias depois, e com um mês a mudinha tem uns três pares de folhas e vai para o vaso. A primeira flor costuma vir entre 7 e 12 meses depois da semeadura. A rosa do deserto (Adenium obesum) é das plantas mais estudadas nessa fase em universidades brasileiras, e cada medida abaixo vem desses ensaios.

Por que plantar por semente

A semente costuma dar o caudex mais desenvolvido. O livro Cultivo e manejo da rosa-do-deserto, da UFMG, registra que a planta de estaca forma o engrossamento embaixo da terra, sem o caule escultural da planta de semente, e um ensaio publicado na Journal of Seed Science em 2015 descreve as plantas de semente com caudex e raiz principal mais desenvolvidos. A base de dados PROTA, da Universidade de Wageningen, discorda em parte e diz que as plantas de estaca também engrossam a base com o tempo; por isso o certo é dizer que a semente tende a dar o caudex mais bonito, não que só ela dá.

O preço é a surpresa na cor. A semente mistura as características dos pais, e a flor raramente repete a da planta que deu a semente, como lembram a UFMG e a Universidade do Arizona. Quem quer uma cor ou uma flor dobrada garantida compra planta enxertada; as variedades estão no guia de cores da rosa do deserto.

Já o caudex e o cuidado com ele, da muda à planta adulta, estão no guia de como cuidar da rosa do deserto.

A semente: de onde vem e quanto tempo dura

A vagem não aparece sozinha depois de toda florada. No Brasil a rosa do deserto não tem polinizador natural, e a produção de sementes depende de polinização manual, segundo uma dissertação da UFMG de 2020; o boletim da Universidade do Arizona acrescenta que costumam ser necessárias duas plantas diferentes. Quando dá certo, as vagens vêm em par, levam cerca de 90 dias para amadurecer e guardam de 28 a 118 sementes cada, segundo a UFMG. As sementes são cilíndricas, marrons, com 9 a 12 mm e um tufo de pelos em cada ponta, e a colheita se faz quando a vagem começa a se abrir.

A semente guarda bem. No ensaio publicado na Journal of Seed Science, sementes que germinavam 90% na colheita ainda germinaram 91% depois de 12 meses num vidro fechado a 25 °C. Nesse ponto ela se comporta de forma diferente das sementes recalcitrantes, que morrem quando secam. Não há dado publicado para mais de um ano nem para sementes guardadas em outras condições, e semear logo depois da colheita continua sendo a precaução mais segura.

A qualidade dos lotes varia muito. Nos ensaios em que os pesquisadores usaram sementes das próprias plantas, a germinação ficou entre 80% e 98%; em lotes comprados de produtores, aparecem resultados de 46% a 95%. Semear algumas sementes a mais compensa essa variação.

Temperatura, luz e substrato: o que os ensaios mediram

FatorResultadoEnsaio
Temperatura96% a 25 °C e 98% a 30 °C; a 15 e 20 °C as sementes começaram a se deteriorarJournal of Seed Science, 2015
Temperatura85% a 25 °C, 71% a 30 °C e 70% a 35 °CMulti-Science Journal, Goiás, 2015
Luz51,5% com luz branca e 50,9% no escuro: a semente germina igual sem luzUFAC, 2018
SubstratoAreia 63%; terra 37%; substrato comercial de turfa e vermiculita 17%Ciência Rural, 2020
SubstratoFibra de coco com casca de pinus 98%; casca de pinus 97%; areia 91%Ornamental Horticulture, 2017
SubstratoVermiculita 95%; areia grossa 60%Vita et Sanitas, 2020

A faixa de temperatura mais segura é de 25 a 30 °C; a 35 °C, a germinação caiu no ensaio de Goiás. A luz não faz falta para germinar, como mostrou o ensaio da UFAC, que classificou a semente como fotoblástica neutra. No substrato, os resultados variam entre ensaios: no da revista Ciência Rural a areia foi a melhor para germinar, mas deu as mudinhas mais leves; no de 2017, fibra de coco com casca de pinus germinou tanto quanto e as mudas cresceram mais. A mistura para o vaso definitivo está no guia de substrato para rosa do deserto.

Passo a passo da semeadura

  1. Prepare a bandeja. Bandeja ou copinhos com furo, cheios de areia lavada ou de uma mistura leve de fibra de coco e casca de pinus.
  2. Hidrate as sementes. Os ensaios deixaram as sementes de molho de 30 minutos a 3 horas antes de semear. O livro da UFMG, citando produtores dos Estados Unidos, indica tirar os tufos de pelos antes.
  3. Semeie raso. Os ensaios brasileiros semearam a 0,5 cm de profundidade, uma semente por célula, ou sobre o substrato com uma cobertura fina. Nenhum ensaio comparou deitar a semente na horizontal com outras posições.
  4. Umedeça sem encharcar. Borrife até o substrato ficar úmido por igual. Água parada apodrece a semente.
  5. Mantenha entre 25 e 30 °C. Luz não é necessária até a germinação, mas calor sim: abaixo de 20 °C, a semente se deteriora.
  6. Espere de 4 a 14 dias. A 25 °C, no ensaio de 2015, a raiz apareceu no quarto dia e as folhas de semente se abriram no sétimo.
Sementes de rosa do deserto espalhadas sobre o substrato arenoso na bandeja de semeadura
Sementes sobre a bandeja, antes da cobertura fina.

Os primeiros cuidados com a mudinha

Depois de germinar, a mudinha passa a precisar de luz. Nos ensaios brasileiros, as mudas cresceram sob cerca de 50% de sombra nos primeiros meses, e a planta adulta pede sol pleno. A rega é diária nessa fase: num ensaio publicado na Ornamental Horticulture em 2019, a irrigação diária deu mudas melhores que a rega em dias alternados com hidrogel. A Universidade do Arizona resume o ponto certo: úmido, mas não encharcado.

Com cerca de um mês e uns três pares de folhas, a mudinha vai para o vaso individual, segundo a UFMG. O adubo faz diferença a partir daí: num ensaio publicado na Ornamental Horticulture em 2018, mudas regadas a cada duas semanas com solução de nitrogênio cresceram bem mais que as sem adubo, e os autores registraram que a planta responde muito à adubação.

O inimigo dessa fase é o tombamento, a podridão da base causada por fungos do solo. A extensão da Universidade de Connecticut liga o problema a substrato molhado por tempo demais, e num ensaio da UEMS duas mudas apodreceram em terra argilosa encharcada pela rega diária. O cuidado é o mesmo da germinação: substrato que drena, sem água parada.

Mudinhas de rosa do deserto brotando na bandeja com a base do caudex começando
Mudinhas com poucas semanas, a base já começando a engrossar.

Como o caudex engorda desde a mudinha

Os ensaios permitem acompanhar o crescimento. Num estudo da UEMS, em solo arenoso, o caudex passou de 8,3 mm aos 45 dias para 14,2 mm aos 90, 23,2 mm aos 135 e 28,4 mm aos 180; na melhor mistura do ensaio, chegou a 32,4 mm. Num ensaio publicado em 2016 na Australian Journal of Crop Science, plantas de nove meses com 27,9 mm chegaram a 51 a 67 mm cerca de sete meses depois.

Um conselho repetido diz que rega espaçada engorda a base. O ensaio da Universidade Estadual de Londrina, publicado em 2018, mediu o contrário na melhor mistura: o caudex ganhou mais com o substrato mantido entre 80% e 90% da capacidade de retenção de água, sempre num substrato que drenava bem. O que a rosa do deserto não tolera é encharcamento, não água.

O caudex à mostra vem do replantio. O boletim da Universidade do Arizona registra que produtores replantam a planta um pouco mais alta a cada troca de vaso, para expor o caudex e o topo das raízes, e avisa que a subida deve ser gradual. Para saber quanto substrato o vaso novo leva, a calculadora de substrato faz a conta.

E fazer muda de rosa do deserto na água?

Não encontramos ensaio que tenha testado o enraizamento de estaca ou de mudinha de rosa do deserto na água. Os dados que existem apontam para o substrato que drena: num ensaio com estacas apresentado pela UFTM, a areia grossa deu a melhor sobrevivência e o melhor enraizamento, e os autores atribuíram o resultado à drenagem, que evitou a podridão; o livro da UFMG avisa que o excesso de rega apodrece as estacas. Para a semente, a água não serve como meio de cultivo: ela é só o molho de algumas horas antes de semear. Os princípios da estaca, inclusive quando a água funciona em outras plantas, estão no guia de estaquia.

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Quem escreve
Luiz Augusto Silva Rodrigues

Luiz Augusto Silva Rodrigues é o fundador e editor do Ramificando, onde reúne e revisa os guias de propagação de plantas do site, com foco em quem vai fazer a primeira muda. Saiba mais em Sobre e na Política Editorial.

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