A mini estufa para plantas é uma caixa ou cobertura transparente que segura umidade e calor em volta de sementes e estacas. Ela serve para duas fases: a germinação, até as sementes brotarem, e o enraizamento de estacas com folhas, que perdem água antes de ter raiz. Nas duas, a regra das extensões universitárias é a mesma: cobrir enquanto a planta não tem como se abastecer e tirar a cobertura aos poucos assim que ela consegue. Usada fora dessa janela, a mini estufa favorece o tombamento, a podridão das mudinhas causada por fungos do solo.
Para que serve: os números
O efeito é mais claro nas estacas. A extensão da Universidade da Flórida explica que umidade do ar perto de 100% reduz a perda de água de estacas e mudinhas, e um ensaio da Embrapa Acre mediu a diferença com estacas de café, em 1998 e 1999: sob câmara úmida de plástico, 65% a 78% das estacas enraizaram; sob tela de sombreamento, sem cobertura, só 3% a 35%. Para sementes, a cobertura mantém a superfície úmida por igual e retém calor, segundo as extensões de Iowa e de Illinois, mas não encontramos ensaio que compare germinação com e sem cobertura.
A estufa também ajuda a manter a temperatura de germinação. A tabela mostra as faixas de algumas sementes comuns, segundo a extensão da Universidade Estadual de Iowa.
| Semente | Temperatura do ar para germinar | Dias para germinar |
|---|---|---|
| Tomate | 21 a 24 °C | 6 a 12 |
| Pimenta e pimentão | 21 a 24 °C | 7 a 10 |
| Berinjela | 21 a 24 °C | 7 a 10 |
| Manjericão | 18 a 21 °C | 10 a 14 |
| Salsa | 21 a 24 °C | 20 a 25 |
| Pepino | 24 a 27 °C | 3 a 10 |
| Couve, repolho e brócolis | 18 a 21 °C | 4 a 7 |
| Alface | 16 a 21 °C | 7 a 14 |
A Penn State dá um exemplo do peso da temperatura: semente de pimentão germina em 8 dias a 30 °C e leva mais de 13 dias a 14 °C. A rosa do deserto, que é planta de calor, germina melhor entre 25 e 30 °C, como mostra o guia de como plantar a flor do deserto por semente.
Viveiros comerciais usam a mesma ideia em escala maior. Um capítulo de livro da Embrapa sobre produção de mudas em ambiente protegido aponta que a estrutura melhora o controle de pragas e doenças e aumenta o pegamento das mudas depois do transplante.
Quando tirar a tampa: na germinação, não nas primeiras folhas
Este é o ponto que mais derruba mudas. A extensão de Iowa manda tirar a tampa assim que a germinação acontece; a de Washington, quando mais da metade das sementes brotou; a de Clemson, quando as mudinhas começam a aparecer; a da Universidade Purdue, quando a germinação estiver bem encaminhada. Esperar as primeiras folhas verdadeiras é tarde: elas surgem depois das folhas de semente, e nesse intervalo a umidade alta favorece o tombamento.
Depois da germinação, a mudinha prefere um ambiente mais fresco que o da semente: a extensão de Iowa indica de 16 a 21 °C, e a Embrapa Tabuleiros Costeiros recomenda umidade do ar de 50% a 80% no viveiro de hortaliças, bem abaixo dos quase 100% da câmara fechada.

Como evitar que as mudas apodreçam
O tombamento é causado por fungos de solo, principalmente dos gêneros Pythium, Phytophthora, Rhizoctonia e Fusarium, segundo a cartilha da Embrapa Hortaliças sobre tombamento, que lembra que esses fungos dependem de água livre. Uma publicação da Embrapa Rondônia acrescenta que a umidade alta no solo é a condição que mais favorece a doença, e que temperaturas amenas, de 15 a 20 °C, beneficiam Pythium e Phytophthora, enquanto o calor beneficia Rhizoctonia.
- Substrato limpo e que drena. A extensão de Iowa liga o tombamento a substrato mal drenado, semeadura densa e excesso de rega.
- Recipiente desinfetado. A Embrapa Hortaliças orienta lavar bandejas usadas em água sanitária a 10% por pelo menos 30 minutos.
- Semeadura rasa e rala. Semente enterrada fundo demais apodrece antes de emergir, segundo a mesma cartilha.
- Rega moderada, de manhã. E rega por baixo quando possível: a Purdue explica que ela mantém a superfície seca.
- Troca de ar. A extensão de Iowa orienta não fechar o saco ou a tampa por completo, para o ar circular.
- Fora do sol direto. A Purdue avisa para não deixar recipiente coberto sob sol direto, que superaquece o interior; a extensão de Iowa lembra que luz demais queima folhas sob plástico.
Quando a mini estufa atrapalha
Estacas lenhosas, sem folhas, perdem pouca água e enraízam sem câmara úmida, segundo a Embrapa Cerrados. Suculentas e cactos seguem lógica oposta: a extensão de Iowa orienta deixar o corte secar e formar casca antes de plantar e manter o substrato só levemente úmido, nunca molhado. Nenhuma das fontes consultadas recomenda câmara fechada para elas. O cuidado com as suculentas está no guia de como plantar suculenta.
Nos ensaios brasileiros com rosa do deserto, as mudas cresceram depois da germinação sob tela de sombreamento, sem câmara fechada; os cuidados da planta estão no guia de como cuidar da rosa do deserto.
Como fazer uma mini estufa em casa
- Garrafa PET. A Universidade da Flórida cita a garrafa de dois litros invertida, com o fundo cortado. Num ensaio da UFV com estacas de maracujá, garrafas PET de 2 litros cortadas a 9 cm da base, com furos de drenagem e sem tampa para a troca de ar, funcionaram como miniestufas por 70 dias; num ensaio da UFRB, a tampa ficou nos primeiros 10 dias e depois foi tirada, e todas as estacas enraizaram em areia lavada.
- Saco plástico transparente. Sobre o vaso de estacas, apoiado em palitos ou arcos de arame para não encostar nas folhas, como orientam as extensões de Iowa e da Flórida, sem fechar por completo.
- Caixa plástica transparente com tampa. Também citada pela Universidade da Flórida, serve para bandejas de semeadura.
- Bandeja com tampa transparente. A extensão de Washington considera a bandeja de 72 células com tampa ideal para começar sementes.

Para encher bandejas e copinhos na medida, a calculadora de substrato faz a conta.
Quem quer automatizar a rega das mudas que já saíram da estufa pode usar um vaso autoirrigável.
Da estufa para o ambiente: a aclimatação
São duas etapas. A primeira é tirar a muda da câmara úmida: a Universidade da Flórida orienta aumentar a circulação de ar aos poucos, abrindo a cobertura, e só depois aumentar a luz. A segunda, para mudas que vão para fora, é o endurecimento ao ar livre, e aí as fontes dão prazos: de 5 a 7 dias para alguns produtores, segundo a Penn State; de uma a duas semanas, segundo Washington; duas semanas antes do plantio, segundo a Purdue; de duas a três semanas, segundo Clemson. A mudança brusca de umidade e sol é o que queima a muda.
Para estacas, o momento de começar é quando há raiz, conferida com um puxão leve; o passo a passo está no guia de estaquia.
E para descobrir se a sua planta se multiplica por semente, estaca ou divisão, o seletor de mudas indica o método.