Reprodução sexuada das plantas: como funciona e exemplos

Abelha coletando pólen no centro de uma flor amarela, polinização na reprodução sexuada das plantas
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A reprodução sexuada das plantas é o caminho que passa pela flor e termina na semente: o pólen de uma planta encontra o óvulo de outra (ou da mesma), as duas metades de material genético se juntam e nasce um indivíduo novo, parecido com os pais mas nunca idêntico. É por causa dela que um pé de feijão vira uma vagem cheia de grãos e que uma única rosa do deserto plantada por semente pode surpreender com uma cor que ninguém esperava.

Entender esse processo ajuda muito quem cultiva em casa, porque explica quando vale plantar semente e quando é melhor fazer muda. Abaixo você vê as partes da flor que trabalham nisso, como a polinização acontece, o caminho até a semente e a diferença prática em relação à reprodução sem semente.

O que é reprodução sexuada nas plantas

Na biologia, reprodução sexuada é aquela em que duas células reprodutivas, chamadas gametas, se unem. Nas plantas com flor, o gameta masculino fica dentro do grão de pólen e o feminino fica dentro do óvulo, escondido no ovário da flor. Quando os dois se encontram acontece a fecundação, e a partir dali o óvulo vira semente e o ovário vira fruto.

O ponto central é a mistura. Metade dos genes vem de um lado, metade do outro, e a combinação sai sempre diferente. É exatamente o oposto da reprodução assexuada das plantas, em que um pedaço da planta gera uma cópia fiel dela. As duas estratégias convivem na natureza e cada uma resolve um problema diferente.

As partes da flor que fazem a reprodução

A flor é, no fundo, o órgão reprodutor da planta. Nem toda flor tem todas as partes, mas a maioria reúne quatro peças principais:

  • Estames: a parte masculina. Cada estame termina numa antera, a bolsinha que produz o pólen.
  • Pistilo: a parte feminina, no centro da flor. Tem o estigma (a ponta que recebe o pólen), o estilete (o canal) e o ovário (onde ficam os óvulos).
  • Pétalas: não participam da fecundação, mas atraem os polinizadores com cor, formato e perfume.
  • Sépalas: as folhinhas verdes que protegem o botão antes de ele abrir.

Flores que têm estame e pistilo juntos são chamadas de hermafroditas, caso da maioria das rosas e dos tomates. Outras plantas separam os sexos em flores diferentes, como a abóbora, que tem flor macho e flor fêmea no mesmo pé. E há espécies em que um pé inteiro é só macho e outro só fêmea, como o mamão de algumas variedades e o kiwi.

Flor de hibisco vermelho com a coluna de estames cheia de pólen e o pistilo em destaque
Estames produzem o pólen e o pistilo recebe: as partes da reprodução da flor.

Polinização: o encontro do pólen com a flor

Para haver semente, o pólen precisa sair da antera e chegar ao estigma. Esse transporte é a polinização, e cada planta desenvolveu o seu jeito de garantir que ele aconteça.

O vento leva o pólen das gramíneas, do milho e de muitas árvores. Essas plantas costumam ter flores discretas e soltam pólen em enorme quantidade, justamente porque a maior parte se perde no ar. Já as flores coloridas e perfumadas dependem de animais: abelhas, borboletas, mariposas, besouros, beija-flores e até morcegos visitam a flor atrás de néctar e saem carregando pólen para a próxima.

Algumas plantas se autopolinizam, ou seja, o pólen cai no estigma da própria flor, como acontece com o feijão e a ervilha. Outras fazem questão do cruzamento com outro indivíduo. Em casa, quando a flor não tem visita de inseto, dá para ajudar com um pincel macio, passando o pólen de uma flor para outra. É o que muita gente faz com a rosa do deserto para colher sementes.

Da fecundação à semente, passo a passo

  1. Polinização: o grão de pólen pousa no estigma da flor.
  2. Germinação do pólen: o grão cria um tubo que desce pelo estilete até o ovário.
  3. Fecundação: o gameta masculino chega ao óvulo e os dois se unem, formando o embrião. Em espécies como a manga e os citros, a mesma semente pode abrigar mais de um embrião.
  4. Formação da semente: o óvulo fecundado cresce, acumula reserva de alimento e ganha uma casca protetora.
  5. Formação do fruto: o ovário engrossa em volta das sementes, vira fruto e ajuda a espalhá-las.
  6. Dispersão e germinação: a semente cai, é levada pelo vento, pela água ou por animais e, com umidade e calor, brota uma planta nova.

Depois que a flor é fecundada, as pétalas murcham e caem, porque já cumpriram o seu papel. Por isso é comum ver a flor secar e, no lugar dela, começar a inchar uma vagem, uma cápsula ou um fruto.

Vagens de feijão abertas sobre mesa de madeira mostrando as sementes formadas
Depois da fecundação, a flor vira vagem e o óvulo vira semente.

Reprodução sexuada e assexuada: as diferenças na prática

AspectoSexuada (semente)Assexuada (muda)
OrigemFlor, pólen e óvuloGalho, folha, raiz ou broto
Resultado genéticoPlanta nova e diferente dos paisCópia idêntica da planta mãe
Velocidade até a planta adultaMais lentaMais rápida
Quantidade de plantasMuitas de uma vezLimitada ao material disponível
Vantagem principalDiversidade e variedades novasFidelidade à planta que você gosta

Por que a planta de semente não repete a planta mãe

Essa é a dúvida que mais aparece para quem começa. Você colhe a semente de uma rosa do deserto vermelha e dobrada, planta com carinho e nasce uma flor rosa e simples. Não é erro seu. Como a semente carrega genes dos dois pais, ela pode trazer características que estavam escondidas em gerações anteriores.

É esse o papel que a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia atribui à reprodução sexual no material do seu grupo de pesquisa em reprodução vegetal: introduzir variabilidade genética e permitir a criação de novas variedades.

É por isso que quem quer uma variedade específica compra muda enxertada ou faz estaca, e quem gosta de surpresa planta semente. No caso da rosa do deserto, a semente tem uma vantagem que a estaca não tem: forma o caudex, a base engrossada, de maneira natural. Veja como fazer no guia de como plantar flor do deserto por semente e entenda a variação de cores em cores de rosa do deserto.

Exemplos de reprodução sexuada no dia a dia

Quase tudo que se come em forma de grão ou fruto passou por ela. O feijão, o arroz, o milho e o trigo são sementes. O tomate, a abóbora, o pimentão e a melancia são frutos cheios de sementes. O abacate que brota num copo de água com palitos é uma semente germinando.

Na jardinagem, as flores de canteiro de ciclo curto, como a zínia, o cosmos e o girassol, são multiplicadas quase sempre por semente. Muitas hortaliças também, como a alface, a rúcula e a cenoura. Já as plantas que valorizamos por uma característica fixa, como uma folhagem variegada ou uma fruta de sabor especial, costumam ser multiplicadas por muda.

Há também plantas que não contam com a semente. Samambaias e musgos se reproduzem por esporos, e várias plantas cultivadas quase não formam sementes viáveis, caso da bananeira comercial. Ainda assim, a maioria das plantas com flor produz sementes em algum momento.

Onde isso entra na sua jardinagem

Saber qual reprodução usar economiza tempo e frustração. Para ter muitas plantas de uma vez, criar variedades ou cultivar hortaliças e flores anuais, semente é o caminho, e o nosso guia de como plantar sementes mostra a sementeira passo a passo. Para repetir uma planta que você já ama, a muda é mais rápida e fiel.

A época também pesa. Semente germina melhor com calor e dias longos, então primavera e verão são as janelas mais seguras. Se você gosta de organizar o plantio pelas fases da lua, o calendário lunar de plantio mostra a fase de hoje e o que a tradição recomenda para semear.

Semente é começo, não sorte

A reprodução sexuada é o motor da diversidade das plantas e o que torna cada semeadura um pequeno experimento. A regra só falha nas espécies que formam sementes sem fecundação, clones disfarçados da planta mãe. Quando você entende o caminho da flor até a semente, fica fácil decidir quando semear e quando fazer muda, e cada surpresa que brota no vaso passa a fazer sentido.

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Quem escreve
Luiz Augusto Silva Rodrigues

Luiz Augusto Silva Rodrigues é o fundador e editor do Ramificando, onde reúne e revisa os guias de propagação de plantas do site, com foco em quem vai fazer a primeira muda. Saiba mais em Sobre e na Política Editorial.

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